Na semana passada o Radar mostrou dois reajustes de IA escritos com data. Nesta semana vieram dois cortes, também com data, e a Microsoft mudou o jeito de cobrar. A lição não é esperar baixar nem correr antes de subir: é que o preço da IA mexe toda semana, e o dono do pequeno negócio não controla nenhum desses movimentos. O que ele controla é o próprio contrato, e o próprio cadastro. Porque na quarta-feira, 1º de outubro, responder cliente pela API do WhatsApp passa a ser cobrado, e quem não cadastrar forma de pagamento até terça corre o risco de ver a mensagem simplesmente não chegar.
1. Uma semana depois do aumento com data, vieram dois cortes com data
Em 22 de setembro a OpenAI lançou o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna, com preço de API 50% menor que a tarifa promocional do modelo anterior, segundo o anúncio oficial. No mesmo dia a Anthropic lançou o Claude Opus 5.5: US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 de saída, 20% menos que o Opus 5, e aumentou os limites de uso dos planos Pro, Max, Team e Enterprise por assento. Enquanto isso, a tabela do Google continua dizendo que a API do Gemini 3.8 Flash dobra de preço em 1º de janeiro. E a Microsoft anunciou nesta quinta que os agentes do Copilot (a parte que trabalha sozinha) vão ser cobrados por uso, em créditos, enquanto o chat segue na licença mensal.
Uma correção nossa: na semana passada escrevemos que a promoção do GPT-5.6 Sol “vence em 21 de novembro”. A tabela da OpenAI diz que ela vale “pelo menos até” 21 de novembro. É garantia mínima, não data de vencimento.
Por que importa pro seu negócio: o seu fornecedor de ferramenta com IA pagou menos em setembro por alguns modelos e vai pagar mais em janeiro por outros. A pergunta da semana passada continua valendo, só que agora com os dois lados: se o custo dele caiu, a sua mensalidade acompanha? E fique de olho na virada da Microsoft, porque ela deve se espalhar. Com mensalidade, o risco é pagar e não usar. Com cobrança por uso, o risco é o agente usar demais e a conta chegar no fim do mês. Antes de ligar qualquer agente que “trabalha enquanto você dorme”, pergunte onde fica o teto de gasto e quem é avisado quando ele chega perto.
Fontes: OpenAI, tabela oficial da API · Anthropic, Claude Opus 5.5 · Google, tabela oficial da API do Gemini · Microsoft
2. WhatsApp: quem não cadastrar forma de pagamento até 30 de setembro pode ficar sem entregar resposta
Em 4 de setembro dissemos que, a partir de 1º de outubro, as mensagens de serviço da API do WhatsApp passam a ser cobradas, com franquia de 1.000 grátis por mês por número. Faltava um detalhe, e ele está na documentação oficial da Meta para desenvolvedores: “Para provedores de soluções ou empresas diretamente integradas que não tiverem um método de pagamento registrado até 30 de setembro de 2026, a Meta deixará de entregar mensagens de serviço a partir de 1º de outubro de 2026”. Outra página da mesma documentação diz que, sem forma de pagamento, a Meta entrega dentro da franquia gratuita e para quando ela acaba. As duas redações não são idênticas; a leitura prudente é cadastrar antes. A mesma documentação usa o Brasil como exemplo e dá o custo de entrega: 0,68 centavo de dólar por mensagem.
E mais uma correção: em 18 de setembro dissemos que os preços do Meta One (de R$ 59 a R$ 1.999 por mês nos planos para empresa) vinham só de imprensa. Eles estão no anúncio oficial da própria Meta, de 15 de setembro. Procuramos na página de ajuda, que não traz preço, e concluímos cedo demais.
Por que importa pro seu negócio: tudo isso vale para quem atende pela API, direto ou por uma plataforma de atendimento. O aplicativo WhatsApp Business comum não é cobrado por mensagem. Se você usa plataforma (chatbot, central de atendimento, CRM que manda mensagem), faça hoje uma pergunta só: “a forma de pagamento da minha conta de mensagens na Meta está cadastrada, e em nome de quem?”. Se a plataforma cobra de você e paga a Meta, o problema é dela; se a conta de cobrança é sua, o problema é seu. E note que a Meta tem dois caixas: a assinatura Meta One mira quem usa o aplicativo, e a cobrança por mensagem é de quem usa a API. Saiba em qual dos dois você está antes de assinar qualquer coisa.
Fontes: Meta, documentação de preços do WhatsApp Business · Meta, “Apresentando o Meta One”
3. iFood e Mercado Livre puseram IA grátis dentro do painel, e o iFood mediu que só 11% usam IA onde mexe na margem
Em julho o Radar registrou que o iFood prometia novas ferramentas de IA para restaurantes ainda em 2026. Chegaram em 17 de setembro, no iFood Move: o Toqan para Restaurantes, assistente em que o dono pergunta em português sobre vendas, cancelamentos e avaliações, e o iFood IA, que sugere ajuste de cardápio, preço e combo. Nas palavras do próprio iFood, “ambas as ferramentas são gratuitas para parceiros iFood”, dentro do Portal do Parceiro. O dado que acompanha o lançamento é o mais útil da semana: segundo pesquisa interna do iFood, 71% dos parceiros já usam algum tipo de IA, mas 73% deles só para tarefa criativa (foto de prato, legenda), e apenas 11% onde ela de fato mexe na margem. Na quarta, 24, foi a vez do Mercado Livre, que disse no palco do seu evento ter um assistente de vendas usado por cerca de 30 mil vendedores e sugestões de campanha enviadas por WhatsApp a cerca de 10 mil por semana.
Três ressalvas. A pesquisa do iFood é interna, sem amostra nem método publicados, e feita por quem vende a solução para o problema que ela aponta: vale como ordem de grandeza. “Grátis” quer dizer sem cobrança extra, porque o parceiro já paga comissão. E os números do Mercado Livre são da empresa, ditos no evento dela; não conseguimos confirmar se o assistente é gratuito nem para quem está liberado.
Por que importa pro seu negócio: para quem vende nesses canais, a primeira IA a testar não é a que você assina: é a que já está no painel que você abre todo dia, alimentada com os seus próprios dados de venda. O teste leva dez minutos. Pergunte ao assistente qual produto dá mais pedido e menos margem, e por que o cancelamento subiu no último mês. Só lembre que essa inteligência enxerga o canal da plataforma, não o seu balcão nem o seu delivery próprio. E se você está nos 73% que usam IA só para fazer foto, este é o empurrão para usar onde dá dinheiro.
Fontes: Blog de Parceiros iFood · O Tempo · MobileTime
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